Dom, 18 de Setembro de 2011 12:59
Para a abertura da noite de encerramento do 11º Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe (Curta-se), foi escolhido o curta metragem ' Mulheres Mangabeiras', de Rita Simone Liberato e co-produção da Casa Curta-se. Acompanhando a exibição do filme, no cinemark, estavam presentes as protagonistas do filme, as catadoras de mangaba.
Através das histórias contadas pelas mulheres dos municípios da Barra dos Coqueiros, Estância, Indiaroba, Itaporanga D’Ajuda, Japaratuba, Japoatã e Pirambu, pode-se perceber os simbolismos, os cantos, as lutas e a buscas por uma vida mais digna. O vídeo convida a uma reflexão sobre as perspectivas de desenvolvimento para as comunidades rurais do Brasil.
Reconhecidas como Comunidade Tradicional, as práticas das mulheres que catam mangaba em nosso Estado é perpassada por conhecimentos de gerações passadas, heranças indígenas, conflitos sociais e saberes tradicionais.
Para Alicia Santana, presidente das catadoras de mangaba de Indiaroba, ter o documentário exposto no festival é muito importante. “Nós só temos a agradecer por essa oportunidade de mostrar nosso trabalho e nossa luta para todas as pessoas” declara. “A felicidade é enorme só de imaginar todas essas catadoras aqui, dentro de um shopping, no cinema para ver um filme. A primeira vez que tive contato com cinema foi com o festival, antes nunca tinha visto”, acrescentou.
Para Patrícia de Jesus, catadora de mangaba e produtora do vídeo documentário, é muito importante que outras pessoas vejam o filme e percebam toda a verdade que existe em cada história exposta no vídeo. “Estou muito realizada com a produção desse curta, porque ele fala da minha vida, da vida de todas as catadoras. Trazer esse filme para o festival é uma oportunidade única de várias outras pessoas conhecerem um pouco mais sobre nossa realidade” conta.
Rita Simone, diretora do documentário, diz que fazer o filme foi uma experiência muito importante, principalmente pelo aprendizado adquirido durante sua produção. “O filme é um grande possibilidade de aprendizado sobre meio ambiente, relação simbólica com a natureza, questões de gênero, além de trazer um contato com uma realidade muito distante da nossa que vivemos em grandes centros urbanos” explica a diretora.
Rita fala ainda da importância do Curta-SE. “Eu acompanho esse festival desde o início e tenho muito respeito pelo trabalho desenvolvido pela Rosângela Rocha [diretora executiva do Curta-SE] e fico muito emocionada com a oportunidade de trazer as catadoras para um espaço tão importante como esse, a maioria delas nunca estive em um cinema”.
Visão do Público
O público que saía da seção após ter visto o documentário se mostrou bastante satisfeito com a exibição. A administradora Fernanda Luize conta que já tinha ouvido falar sobre o filme e sua temática. “Achei uma idéia muito interessante, principalmente pela oportunidade de ouvir o que as mulheres catadoras têm a dizer. No filme, existem muitas questões para serem pensadas, como meio ambiente com a devastação da mangaba e formação da sociedade com as histórias de vida apresentadas” comenta.
Para Ildete Feitosa, atriz e educadora, o filme é uma forma de protesto. “É uma forma de chamar atenção para o que acontece na realidade daquelas mulheres, faz a gente refletir e promover discussões sobre essas questões, que são sociais” explica.
Ludmila Pacheco, professora de inglês, acha a iniciativa do filme maravilhosa por considerar a mangaba ‘a cara de Sergipe’. “A proposta do Curta-SE de trazer filmes como esse para grandes platéias é única. Se essas portas não fossem abertas, um documentário sergipano, provavelmente jamais seria exibido em uma sala de cinema”.
Realização
O Curta-SE, incentivado pela Lei de Incentivo à Cultura, tem patrocínio da Petrobras, co-patrocínio do Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Comunicação Social, apoio cultural do Cinemark, Banco do Nordeste e Fundação Aperipê, apoio do Pontão Avenida Brasil, Ponto de Cultura Figuras em Trânsito, Banese Card, Shopping Jardins, Mega Collor, CiaRio, Estúdios Mega, Cinerama Brasilis, Nova Digital, Porta Curtas, Canal Brasil, Revista Preview, Revista Raça Brasil, Revista Brasileiros, Sesc Sergipe, Unit, UFS, Secretaria de Estado da Cultura, Prefeituras de Estância, Laranjeiras e São Cristóvão, Fórum dos Festivais, Congresso Brasileiro de Cinema, Conselho Nacional de Cineclubes, ABD/SE, Segrase, Infonet, Superlux, Ativa Impressão Digital, Swapi, Sebrae, Fest’A Film, Oceanário, Aruanã Eco Praia Hotel e Faculdade Serigy, com realização da Casa Curta-SE e Ministério da Cultura/Governo Federal.
Por Janaína Oliveira
Divulgação dos selecionados
12ª edição do Festival Iberoamericano de Cinema de Sergipe
Casa Curta-se
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